Prevenção e Comunicação de Risco

Sem dúvida o locus da ação dos profissionais de saúde e segurança no trabalho.

Gerenciamento de Riscos

Fundamental para a redução de perdas.

Saúde e Segurança

Conectadas em prol de nossos trabalhadores.

Higiene Ocupacional e Toxicologia

Ciências unidas na qualificação e quantificação de agentes ambientais.

Parâmetros Regulatórios e de Controle

A dinâmica do trabalho exige uma constante validação dos processos e análise das tarefas.

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sábado, 8 de setembro de 2018

Polímeros e os Riscos de Sua Termodegradação


Um aspecto importante quando falamos sobre polímeros na área de Higiene, Segurança e Saúde Ocupacional é a sua termodegradação, gerando subprodutos desta transformação que, quando não percebidos expões os trabalhadores a riscos que podem impactar consideravelmente a salubridade dos ambientes e consequentemente a saúde dos trabalhadores.
Quando, por exemplo, observações processos como extrusão de plásticos, conformação de silicones por processos de aquecimento, fusão de borrachas por processos térmicos, enfim uma diversidade de processos temos a liberação de subprodutos por termodegradação se propagando no ar em forma de fumos e/ vapores. Quando esses processos saem de controle temos sua propagação na forma de fumaça onde mediante a variação de sua composição original podemos ter diversas reações emissões, como por exemplo o monóxido de carbono e o gás cianídrico.
Temos uma diversidade de produtos que contém polímeros em suas estruturas como espumas de preenchimento de sofás, para isolamento acústico, recipientes de isopor, além de equipamentos e produtos que contém PVC – Policloreto de Vinila, o qual libera em sua queima ácido clorídrico, tendo esse efeito irritante ao sistema biológico.
Uma série de fatores podem gerar influência na magnitude do risco gerado pela termodegradação de polímeros, como a umidade relativa do ar, a existência de outras substâncias que podem gerar efeitos sinérgicos potencializando a os efeitos adversos ao organismo, a temperatura em que o polímero está se degradando, características dos ambientes, etc.
Nos mais variados cenários, encontraremos os mais variados tamanhos de partículas que em suas frações inaláveis, torácicas e respiráveis podendo atingir desde o trato respiratório primário como um irritante até aos alvéolos pulmonares, sendo que alguns como fumaças contendo monóxido de carbono entrarem na corrente sanguínea gerando a carboxihemoglobina podendo gerar intoxicações graves. Sua ação tóxica, por exemplo, é o resultado de uma forte ligação química que o CO estabelece com os átomos de ferro da fração heme da hemoglobina formando a carboxihemoglobina, está biotransformação gera um pigmento anormal no sangue incapaz de transportar o oxigênio.  
Todos os polímeros que contém nitrogênio em sua composição em ocasião de sua termodegradação ou em momentos onde entram em combustão geram o cianeto de hidrogênio, óxidos nitrosos, como o dióxido de nitrogênio, etc. Alguns exemplos de desta ocorrência estão presentes principalmente em queimas incompletas, onde destacamos os náilons e os poliuretanos.
A “família” BTX – Benzeno, Xileno e Tolueno, pode ser encontrada em algumas circunstâncias.
Estas constatações servem de alerta no momento em que vamos realizar um levantamento de riscos em processos produtivos envolvendo polímeros ou resinados. Existe a necessidade de estudo e análise constante das substâncias e de seus subprodutos por parte do Higienista Ocupacional, uma vez que, nossa ação, não se resume em apenas medir algo, mas dar significado e sentido ao que se mede, o que se quantifica!
Os aspectos metodológicos são importantes para investigação da existência de substâncias nocivas no ambiente de trabalho, porém é fundamental que os profissionais estudem os processos e comportamentos das substâncias nos ambientes de trabalho.
Isso exige do profissional o desejo de ir além do se apresenta de maneira trivial, de modo que o profissional de higiene ocupacional se desafie a perceber as variáveis ambientais e comportamento das substâncias em análise.
Fabio Alexandre Dias

Agradeço a Almont do Brasil pela parceria e incentivo a pesquisa. Fato que nos motiva a continuar a compartilhar conhecimento. Site: www.almont.com.br

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Condições Climáticas e as Avaliações dos Agentes Ambientais


Uma das questões básicas em avaliações ambientais são as condições climáticas no momento em que as mesmas serão realizadas.

A alta umidade relativa do ar é um fator complicador na avaliação de partículas suspensas, analisar partículas suspensas após um período de garoa, analisar o estresse térmico em dias nublados ou frios, etc. Todos esses exemplos são relevantes e devem ser percebidos em ocasião dos trabalhos a serem realizados.

É importante que o profissional higienista analise a previsão do tempo e das condições climáticas do dia de sua avaliação. Existem períodos do ano onde as condições de exposição são mais acentuadas devido as características climáticas das estações e suas peculiaridades.

Via de regra para maioria dos agentes, dias quentes representam um cenário de maior estresse devido a vários fatores, como por exemplo, aumento da temperatura e variação das características físico-químicas das substâncias, etc.

Outra questão está ligada a fatores fisiológicos, como aumento da sudorese, fadiga muscular, vaso dilatação, maior irritação do trato respiratório, etc.

As avaliações quantitativas de agentes químicos são prejudicadas quando ignoradas essas variações e não fidelizadas em relatório de avaliação ambiental e demais folhas de registros em ocasião das coletas. É de suma importância análise do comportamento da substância com alteração das CNTPs – Condições Normais de Temperatura e Pressão na ocasião de sua amostragem.

Substâncias mais pesadas ou mais leves do que ar interferem também nas nossas concepções de prevenção, pois uma substância mais leve do que ar tende de alcançar as vias respiratórias dos trabalhadores com maior facilidade, sendo que as demais podem se acumular em áreas mais baixas e se concentrar, por exemplo, em ambientes de confinados ou semiconfinados que podem ser acessados pelos trabalhadores.

Outros fatores de influência devem ser levados em consideração como, a velocidade do ar, estrutura física do local e setor de trabalho e, condições de sistemas de proteção coletivos ou ausência dos mesmos, tempo de exposição do trabalhador e de amostragem.

Utilizar relatórios ambientais de sites de internet não é uma boa referência devido as características e particularidades dos ambientes industriais onde o trabalhador está exposto, sendo assim, essas características e particularidades não podem ser desconsideradas e dependem da ética do profissional para que haja critério e fidelidade na hora da amostragem.

Várias observações aqui descritas não se aplicam apenas nas avaliações de agentes químicos, mas sim em diversos cenários de análise de agentes físicos, como por exemplo o calor, etc.

Ter compromisso com os métodos e boas práticas qualificam as avaliações ambientais e da credibilidade as amostras coletadas. As questões comerciais não devem estar acima do comportamento ético para com as empresas e com os trabalhadores que podem serem prejudicados diretamente pela prática analítica descompromissada.

Fabio Alexandre Dias

 Agradeço a Almont do Brasil pela parceria e incentivo a pesquisa. Fato que nos motiva a continuar a compartilhar conhecimento. Site: www.almont.com.br

sábado, 11 de novembro de 2017

Plano de Amostragem em Higiene Ocupacional

Uma das mais difíceis tarefas na área de Higiene Ocupacional é a elaboração de um plano de amostragem.

Para uma boa construção de um plano de amostragem o profissional deverá não apenas conhecer profundamente a área de segurança no trabalho, mas ser um profundo conhecedor de processos e a relação dos mesmos com a variação da exposição dos trabalhadores.

Ao longo dos anos em minha experiência como docente e treinador de profissionais técnicos na área, sempre enfatizo a seguinte frase: Para ser um excelente técnico em segurança no trabalho devemos ser um excelente conhecedor de processos.

A prática de uma análise simplista em higiene ocupacional pode comprometer a estrutura de um plano amostral. Compreender uma coisa em cada uma de suas partes exige estudo, dedicação e empenho.

Temos visto a evolução de equipamentos que realizam quantificação de contaminantes ambientais com precisão e rapidez, porém fica uma pergunta no ar: Será que a respectiva quantificação representa a realidade da exposição do trabalhador?

No mercado existe uma confusão em relação ao perfil do higienista ocupacional limitando sua atuação há uma falsa de ideia de um utilizador de equipamentos e isso não é verdadeiro. As competências e habilidades que permeiam essa especialidade exige um profundo conhecimento em análise de riscos, processos, materiais industrias e suas aplicações, interpretação das características químicas das substâncias e seus comportamentos que são os subprodutos gerados a partir da relação das substâncias e suas aplicações em processos de trabalho/ industriais.

Todos esses fatores, influenciam na maturidade da construção de um plano de amostragem significativo e assertivo. No Brasil, a prática da higiene ocupacional ainda não é muito difundida, fator que dificulta o entendimento do empresário na contratação e realização desses serviços que são essenciais para o gerenciamento do risco e perigo em seus processos.

Essa condição, faz com que as empresas exijam dos profissionais em higiene ocupacional amostragens pontuais em EMRs – Expostos de Maior Risco que em vários cenários não são eficazes trazendo apenas uma primeira referência de um cenário de exposição onde as variáveis do processo e da intensidade da exposição não são estudadas.

Um bom plano de amostragem deve enaltecer a multidisciplinaridade na busca do conhecimento da situação problema em análise. Fator que compromete o investimento das empresas, uma vez que pela falta de planejamento as análises quantitativas se fragilizam em relação a sua confiabilidade para tomada de decisão, seja de cunho técnico ou legal.

Atualmente, creio ser um dos primeiros profissionais registrados em carteira profissional como Higienista Ocupacional, mas ainda falta muito para termos uma representatividade autônoma e desvinculada de outras profissões no aspecto legal e também científico. Porém, creio no fortalecimento progressivo desta profissão devido a demanda emergente do monitoramento da saúde dos trabalhadores e da compreensão cada vez mais profunda das causas das alterações dos indicadores biológicos de exposição dos trabalhadores.

Quanto maior a percepção dos profissionais em relação ao todo mais “pistas” teremos para compreender o comportamento dos materiais em uso nos mais variados processos, aguçando nossos sentidos e técnica para melhoria contínua do nosso trabalho.

Gostaria de deixar uma reflexão contida no livro “DE MORBIS ARTIFICUM DIATRIBA” de Bernardino Ramazzini:

“ Os vapores de enxofre mudam a tonalidade das rosas, disse o poeta. ”


Por que? Fica o desafio!

Fabio Alexandre Dias

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Equipamentos em Segurança do Trabalho

Sempre quando estamos iniciando na área de Segurança do Trabalho pensamos em adquirir alguns equipamentos de trabalho como medidores de NPS – Nível de Pressão Sonora, Audiodosímetros, Termômetros, etc. O problema é que na maioria das vezes não estamos “maduros” profissionalmente para investir nestas compras e fazemos aquisições de equipamentos que não atendem as exigências mínimas em relação aos quesitos técnicos normativos estabelecidos e referendados pelo próprio mercado.

Já tive a experiência de analisar várias estruturas de escopo para prestação de serviços citando marcas que não seriam aceitas para o atendimento da demanda da futura contratante, ou seja, item que desqualificava os prestadores de serviços antes mesmo da tomada de preços.

Um dos fatores importantes na hora de adquirir seus equipamentos é pensar em uma empresa que dê suporte antes e depois da compra. Caso raro no Mercado em geral, fato não diferente com várias empresas que fornecem equipamentos na área de segurança no trabalho.

Segue alguns sinais importantes para analisar uma empresa na ora da compra:
  •          Ela representa a marca do equipamento que deseja comprar? Ou é apenas uma revenda?
  •         Ela possui demais serviços, por exemplo, manutenção e calibração dos equipamentos?
  •         Os serviços de calibração são acreditados pelo INMETRO? Sendo esta solicitação comum na maioria das tomadas de preço para prestação de serviços.
  •         A empresa investe em difusão de conhecimentos e ações educativas na área de segurança do trabalho?
  •         A empresa possui um suporte técnico para atendimento ao cliente?

Estes são alguns cuidados que temos que tomar ao adquirirmos equipamentos. É comum trabalhamos com tomada de preços, de negociarmos valores, mas na maioria dos casos esquecemos de colocar o suporte ao cliente na “ponta do lápis” e sofremos depois com a falta de esclarecimentos e apoio em ocasião dos equipamentos apresentarem pequenos defeitos ou falhas em softwares e hardwares.

  Recentemente, importados da China são facilmente encontrados em sites de venda em massa  e fomentaram a abertura de uma grande quantidade de revendas fazendo parte de seus catálogos. Mas qual seria o problema? “Nenhum” a não ser a origem, a garantia da qualidade e o suporte pós-venda, ou seja, é possível que se consiga um item até com uma qualidade razoável, o problema é o pós-venda e as demais necessidades que podem surgir.

Na hora de adquirir seus primeiros equipamentos, procure um profissional mais experiente e inteire-se sobre as demandas de mercado e exigências técnicas que podem ter sido atualizadas. A maioria dos equipamentos demandados são os que possuem a característica de serem intrinsecamente seguros que preservem a integridade dos dados armazenados e apresentem relatórios com completude, sendo capazes de apresentar as informações de modo amplo e de maneira a atender as demandas de evidências técnicas, trabalhistas e previdenciárias.

Uma boa oportunidade para comparar os equipamentos e fornecedores são as feiras do segmento que acontecem anualmente em São Paulo. Vários fabricantes e suas linhas mais modernas expõem seus produtos, fomentam palestras durante o evento e tiram dúvidas técnicas acerca de suas funcionalidades. Devida a grande quantidade de fornecedores abre-se espeço para uma melhor negociação e os preços podem cair com uma boa conversa e barganha.

Um grande desafio é controlar a ansiedade, pois um equipamento traz consigo no mínimo a expectativa de serviço a ser prestado, vendido ou desenvolvido. Mas para que não exista frustação posterior é necessário comprar bem, porque, embora não seja este o único fator, a escolha do equipamento influencia na credibilidade do serviço a ser prestado.

Na minha rotina utilizo equipamentos de marcas variadas, como Svantek, Quest, Casella, Brüel, Gillian, UltraRAE, etc. Todos são muito bons e com alta tecnologia! Existem empresas desenvolvendo tecnologia de maneira séria e comendo pelas beiradas, mas com um longo caminho pela frente.
Fabio Alexandre Dias

Agradecimento: A Almont do Brasil pelo apoio e fomento as minhas pesquisas calibrando meus equipamentos. Visite o site em: www.almont.com.br  







  


sábado, 19 de agosto de 2017

Resinas Epóxi ou Sintéticas

As resinas epóxi são comuns em diversos segmentos, por exemplo, no de tintas e vernizes, materiais para construção civil, etc. 

A resina epóxi é uma espécie de plástico termofixo que em reação com um catalizador se endurece criando superfícies resistentes e com características impermeáveis. 

Existem diversas formulações que empresas do mundo todo desenvolveram para os mais variados fins, porém, as resinas epóxi mais aplicadas hoje são produtos de reação entre epicloridrina e bisfenol A. 

Algumas informações importantes:

Epicloridrina – CAS Number 106.89-8, segundo ACGIH (2016), possui um LEO – Limite de Exposição Ocupacional, média ponderada no tempo de 08 horas de 0,5 ppm (partes de vapor ou gás por milhões de partes do ar contaminado por volume em CNTP), possuindo perigo de absorção cutânea e com classificação A3 de carcinogenicidade (carcinógenos confirmados de animais com relevância desconhecida para os seres humanos/ equivalência - grupo 2B do IARC e categoria 2 da União Europeia). Saiba mais em http://www.prevor.com/en/carcinogens-different-classifications ;

Bisfenol A – CAS Number 80.05.7, seu limite de tolerância deve ser classificado como PNOS na ACGIH, ou seja, 3 mg/m³ para frações respiráveis e 10 mg/m³ para frações inaláveis até que seja estabelecido um LE – limite de exposição para a substância. Esta substância esteve em evidência nas discussões relacionadas a exposição por via oral e como componente de embalagens plásticas. Porém, estudos foram realizados envolvendo a OMS e EFSA, discutido e analisado pela ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária que, por precaução proibiram a importação de mamadeiras no Brasil contendo a substância. No caso das embalagens a ANVISA, através da RDC 17/2008, estabeleceu um Limite de Migração Específica (LME) de 0,6 mg de Bisfenol A por Kg de alimento ou simulante.    Saiba mais em http://portal.anvisa.gov.br/alimentos/embalagens/bisfenol-a; Outra questão importante do Bisfenol A é seu limite inferior de explosividade que é de aproximadamente 0,019 g/l.

Dentro dos processos de fabricação de certos grupos de resinas epóxis, utiliza-se diluentes como os da família química conhecida como éteres glicidil, com capacidade de evaporação maior do que os demais compostos relacionados as resinas epóxi, ou seja, potencializando a exposição do sistema respiratório do trabalhador. 

Outro fator importante é o uso de agentes de cura/endurecedores como as aminas alifáticas, cicloalifáticas e aromáticas. 

 As resinas epóxi podem ser encontradas nos estados líquidos ou em pó, alternando assim as formas de exposição ocupacional e as medidas de gerenciamento do risco.  Sendo suas vias de exposição a inalatória, dérmica e oral. A irritação ocular indica a necessidade da proteção das mucosas dos olhos.

Uma sugestão de amostragem nestes casos seria uma varredura de vapores orgânicos para detecção dos compostos e suas quantidades no ambiente de trabalho, através de tubo de carvão ativado, para resinas no estado líquido e investigação das frações respiráveis e inaláveis em caso de seu estado físico se encontrar na forma de pó (lembrando da característica de absorção e irritação cutânea das resinas). Planos de amostragem específicos podem ser elaborados após a investigação com a varredura. Saiba mais em: https://www.cdc.gov/niosh/docs/2003-154/pdfs/methodfinder.pdf .

Sendo assim, percebemos ser fundamental a proteção do trabalhador, a implementação de medidas administrativas relacionadas a orientação e capacitação dos trabalhadores e medidas de engenharia relacionadas ao controle da exposição. 

Fabio Alexandre Dias 

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Ruído – Dose Projetada e Nível de Exposição Normalizado

Atualmente a maioria dos equipamentos que realizam a análise dos níveis de pressão sonora ao qual um trabalhador fica exposto possui integração de dados para fornecimento de informações como, por exemplo, a dose projetada para uma jornada de trabalho de 8 horas. Quando se monitora 70% ou menos desta jornada a mesma, na maioria dos casos, é projetada para oito horas. Quais os cuidados que devemos ter e como isso acontece?
Primeiramente uma investigação e análise detalhada da rotina devem acontecer, pois do contrário pode ser “mascarado” um cenário de exposição, pensando simploriamente em um caso o qual as horas projetadas fossem as mais intensas de certa rotina de trabalho, ou seja, variações consideráveis poderiam influenciar no resultado final do nível de pressão sonora ponderado.
Existem algumas maneiras de se projetar a dose encontrada em um determinado espaço de tempo inferior a jornada completa de trabalho, visando encontrarmos os valores correspondentes de uma jornada integral. Vejamos os exemplos abaixo:
1.    Dose Projetada:

Um avaliador realizou uma dosimetria de 2h, encontrando uma dose de 40%, sendo que a jornada de trabalho é de 8 horas. Projetando então às horas restantes teremos:
Dados:
LAVG = ruído médio ponderado no tempo
D (%) = dose em percentual
T (min) = tempo da medição em minutos

2h à 40%
8h à x
X = (8 . 40) /2 => 160 %
Portanto, D = 160 %
LAVG = 80 + 16,61 x log [(9,6 x D)/T]
LAVG = 80 + 16,61 x log [(9,6 x 160)/480]
LAVG = 88,39 dB (A)

2.    NEN – Nível de Exposição Normalizado – NHO 01

      Constatou-se que um trabalhador está exposto a um NPS – nível de pressão sonora de 87 dB (A) (LEQ) após uma dosimetria de 4 horas, sendo que sua jornada de trabalho é de 8 horas por dia. Qual seria o nível de exposição normalizado ao qual este trabalhador estaria exposto em uma jornada de 8 horas?
Dados:
NEN = dB (A)
NE = nível médio de exposição ocupacional diária
TE = tempo de duração, em minutos, da jornada diária de trabalho.

Utilizando o NEN – Nível de Exposição Normalizado para q=5 (fator de duplicação de              dose conforme NR 15):


NEN = NE +16,61 log (TE/480)
NEN = 87 + 16,61 log (240/480)
NEN = 81,99 dB (A)

Utilizando o NEN – Nível de Exposição Normalizada para q=3 (fator de duplicação de               dose conforme NHO 01):

NEN = NE +10 log (TE/480)
NEN = 87 + 10 log (240/480)
NEN = 83,98 dB (A)

3.    NEN – Nível de Exposição Normalizado – Com excedente de jornada.

            Constatou-se que um trabalhador está exposto a um NPS – nível de pressão sonora de 81 dB (A) (LEQ) após uma jornada total de trabalho de 10 horas, sendo que sua jornada contratual é composta por 8 horas de trabalho e mais 2 horas extras diárias. Qual seria o NEN – Nível de Exposição Normalizado para análise e tomada de decisão com base nos critérios previdenciários vigentes?

Utilizando o NEN – Nível de Exposição Normalizado para q=5 (fator de duplicação de dose conforme NR 15):

NEN = NE +16,61 log (TE/480)
NEN = 81 + 16,61 log (600/480)
NEN = 82,61 dB (A) para uma jornada de 8 horas.

Vejamos outro exemplo:

Constatou-se que um trabalhador está exposto a um NPS – nível de pressão sonora de 84 dB (A) (LEQ) após uma jornada total de trabalho de 10 horas, sendo que sua jornada contratual é composta por 8 horas de trabalho e mais 2 horas extras diárias. Qual seria o NEN – Nível de Exposição Normalizado para análise e tomada de decisão com base nos critérios previdenciários vigentes?

Utilizando o NEN – Nível de Exposição Normalizado para q=5 (fator de duplicação de dose conforme NR 15):

NEN = NE +16,61 log (TE/480)
NEN = 84 + 16,61 log (600/480)
NEN = 85,61 dB (A) para uma jornada de 8 horas.

Os cálculos são importantes para estimativas, ampliando os recursos técnicos dos profissionais no variados cenários que podem apresentar-se durante sua atuação profissional.

É interessante esclarecer que:  

Art. 239. A exposição ocupacional a ruído dará ensejo à aposentadoria especial quando os níveis de pressão sonora estiverem acima de oitenta dB(A), noventa dB(A) ou oitenta e cinco dB(A), conforme o caso, observado o seguinte:
IV - a partir de 19 de novembro de 2003, data da publicação do Decreto nº 4.882, de 18 de novembro de 2003, será efetuado o enquadramento quando o Nível de Exposição Normalizado - NEN se situar acima de oitenta e cinco dB (A) ou for ultrapassada a dose unitária, aplicando:

a) “os limites de tolerância definidos no Quadro Anexo I da NR-15 do MTE; e
b) as metodologias e os procedimentos definidos nas NHO-01 da FUNDACENTRO.”

Por tal circunstância é que se adaptou o cálculo do NEN para o atendimento da legislação supra referida, sendo aplicável quando os valores forem acima de 85 dB (A). 


Fabio Alexandre 14/04/2017

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Fumos Metálicos


 Uma das principais e mais comuns fontes geradoras de risco relacionada a exposição ocupacional a fumos metálicos é o processo de soldagem elétrica. Ocorre um processo de fusão de materiais por calor gerado através de um arco elétrico entre o material a ser soldado com o material fundente do eletrodo.

 No processo, desprende-se todo material que compõe o eletrodo e o material fundente que se liquefaz pela fusão que instantaneamente se solidifica gerando partículas minúsculas que ficam em suspensão no ar. Outra questão que envolve este processo são os gases de proteção gerados para evitar a entrada de oxigênio na solda para evitar bolhas e fissuras.

Fonte: http://www.esab.com.br/br/pt/education/blog/processo_soldagem_eletrodo_revestido_mma_smaw.cfm

  A questão, do ponto de vista ocupacional, é que todos estes componentes oferecem em certas concentrações riscos à saúde dos trabalhadores. Serralherias são tão comuns como marcenarias nos bairros da cidade de São Paulo e o que percebemos são espaços pequenos sem exaustão e com baixo pé direito. Sendo assim, existe uma concentração de fumos metálicos que requer atenção dentro da rotina diária. A maioria destes profissionais são autônomos e, às vezes, não tem o mínimo de instrução e orientação sobre os riscos de seu ofício.  Porém, este risco não se resume apenas a soldagem elétricas, mas aplica-se também a fundições, processo de extrusão metálica, etc.

  Para uma correta ação de controle deve-se quantificar as partículas em suspensão para um dimensionamento adequado de sistemas exaustores localizados com real capacidade de exaurir de maneira eficaz os contaminantes existentes o ar.

  O que avaliar? Depende dos materiais e características dos metais envolvidos com o processo fundente e demais substancias que componham o processo como, por exemplo, pastas de solda em processo de solda a estanho. Veja um ótimo material da Elbras que pode dar dimensão as orientações sobre a necessidade de se estudar os processos fundentes e o que devemos saber quando praticamos a ARAC em: http://www.elbras.com.br/downloads/apresentacaoii.pdf .

  Qualificar os riscos é tão importante quanto quantifica-los, não basta apenas realizar medições se não sabemos o que deve ser medido. No Brasil, ainda não existe uma cultura de implementação do PPR – Programa de Proteção Respiratória e nem uma correta abordagem das exposições e medidas de controle propostas em PPRAs – Programas de Proteção de Riscos Ambientais.

  Um respirador purificador de ar, descartável, tipo peça semi-facial, classe PFF2 seria recomendado para uma proteção inicial até que as avaliações ambientais sejam realizadas, porém, cada caso é um caso, e um profissional especializado deve ser consultado para tal especificação.

Fabio Alexandre Dias 15/12/2016


quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Compostos Orgânicos Voláteis - COVs

Em um passado recente uma substância comumente utilizada para alisamento dos cabelos era o formaldeído, aplicado sobre os cabelos nas famosas escovas progressivas. O formaldeído faz parte de um grupo de substâncias mais amplo conhecido e classificado como COVs – Compostos Orgânicos Voláteis.  Uma de suas maiores aplicações está relacionada à área industrial como solventes orgânicos. Tal aplicação coloca em evidência a necessidade de estudos relacionados à suas características devido à capacidade destas substâncias agirem sobre o sistema biológico dos trabalhadores devido a sua toxicidade, ou seja, característica de uma molécula ou composto produzir um efeito adverso no indivíduo.

Mas o que seria um efeito adverso? De maneira simples, uma oxidação celular gerada pela ação de um dado solvente que por via respiratória ou contato acessou o compartimento central (sangue) do individuo exposto. Efeitos narcóticos relacionados à supressão do SNC – Sistema Nervoso Central, etc.

As principais vias de ação dos COVs são a dérmica e a respiratória que potencializam os riscos e perigos em plantas industriais dos mais variados seguimentos.  O potencial de dano destas substancias estarão relacionados a diversos fatores, dentre eles: susceptibilidade individual, tipo de exposição, aguda ou crônica, fatores sinérgicos, etc.

Tomando como base o formaldeído teríamos um limite de exposição de curta duração (STEL), de 0,3 ppm ( partes de vapor ou gás por milhões de partes do ar contaminado por volume, nas CNTP – Condições Normais de Temperatura e Pressão) , segundo a ACHIG – American Conference of Governamental Industrial Hygienistis. Que representa um valor médio que não pode ser ultrapassado em ciclos de 15 minutos durante toda a jornada de trabalho. Também classificado como sensibilizante dérmico e respiratório, além de ser um suspeito carcinogênico humano.

Os COVs não estão distantes de nós em nossa vida cotidiana, sendo mais presentes do que imaginamos. Acetona, Álcool Isopropílico, Solventes e Vernizes, Combustíveis Fósseis, etc. são apenas algumas substâncias que serão mais ou menos percebidas por uma pessoa leiga em ambientes semiconfinados e com pouca ventilação.  Devemos ter atenção no uso e seguirmos as recomendações dos fabricantes de modo integral.

No caso do formaldeído, segundo a FISPQ – Ficha de Informações de Segurança de Produtos Químicos de um grande fabricante, percebemos que estudos em animais trazem classificações de letalidade a partir de determinadas condições caso a exposição ocorra por via oral, cutânea ou respiratória. Voltando ao exemplo da escova progressiva praticada com formaldeído, teríamos a exposição cutânea e respiratória, potencializada pelo aquecimento com a famosa “chapinha” e de modo cutâneo pela capilaridade e adsorção do contaminante pelos fios de cabelo chegando à epiderme, folículos, etc.

  Atualmente a indústria cosmética substitui o formaldeído por um ácido chamado glioxílico que teoricamente só desprenderia formaldeído a temperaturas acima de 500ºC, porém muito se discuti sobre está questão.

Em oficinas mecânicas e funilarias de bairro percebemos uma intensa exposição aos COVs , devido a prática de trabalho sem nenhum critério ou proteção individual. Na maioria dos casos os trabalhadores desconhecem os efeitos adversos das substâncias e se “resguardam” no mito do copo com leite, supondo erroneamente que o mesmo inibe algum efeito adverso.

A falta de informação e educação sobre o convívio seguro com substâncias químicas tem impactado os indicadores de saúde pública, onde nem sempre o nexo causal foi corretamente determinado pela CID – Classificação Internacional de Doenças, pela omissão de informações por parte dos pacientes e despreparo de muitos profissionais no momento de uma anamnese (entrevista realizada pelo profissional de saúde ao seu paciente).


Nas indústrias o SESMT – Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho é responsável pela gestão do risco e da saúde dos trabalhadores. Devendo chamar para si está responsabilidade e não apenas terceirizá-la a falta de dinâmica de muitos empregadores. Ações simples fazem toda a diferença e nem sempre existe a necessidade de grandes orçamentos para uma mudança de cultura corporativa. 

Por Fabio Alexandre Dias 11/02/2016 

sábado, 3 de setembro de 2016

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Exposição Ocupacional ao Fumo Asfáltico




É comum na cidade de São Paulo vermos trabalhadores tapando buracos nas avenidas e rodovias principais. Também é comum vermos trabalhadores sem proteção alguma desenvolvendo está atividade. Será que a causa é a falta de fiscalização dos municípios e estados em relação a seus prestadores serviços? Um dos problemas são os danos que os fumos oriundos dos processos de pavimentação asfálticos geram a saúde dos trabalhadores.  


A primeira pergunta que paira em nossas mentes é a seguinte: O que são fumos? Fumos são aerodispersóides gerados termicamente, constituídos de partículas sólidas formadas pela condensação de vapores, geralmente após volatilização de substância sólida fundida.

A exposição ao risco ocorre quando estes fumos alcançam a zona respiratória dos trabalhadores, sendo inalados e suas partículas alojando-se ao longo do sistema respiratório em micro frações, que variam de tamanho, podendo futuramente gerar danos à saúde dos trabalhadores devido a uma exposição crônica.

O asfalto é um resíduo derivado de Petróleo, também comumente conhecido como piche e betume, sendo uma mistura composta de diversas substancias, das quais destacaremos os Hidrocarbonatos Aromáticos Policíclicos -  (HAP) que são capazes de reagir, após processos de biotransformação,  ativando as enzimas do citocromo P450, causando danos ao DNA tornando-se potenciais carcinogênicos e mutagênicos. Para maiores informações uma consulta pode ser feita na base de dados da International Agency for Research on Cancer – IARC em  http://www.cancer-environnement.fr/479-Classification-par-localisations-cancereuses.ce.aspx. 

O betume asfáltico está classificado como agente de orientação limitada, ou seja, foi estabelecido nexo causal (evidência suficiente para relacionar a patologia com causa provável na exposição do trabalhador ao agente de risco), porém, fatores de interferência e casuais não podem ser descartados para explicar o aparecimento do câncer.

Quando temos este cenário é importante que façamos uma coleta amostral da exposição dos trabalhadores aos fumos oriundos dos processos de pavimentação asfálticos ou de manutenção das rodovias para aferirmos os níveis de exposição a que estão submetidos. Após os resultados, podemos complementar ações para redução ou melhoria dos cenários de exposição que devem ser analisados criteriosamente, pois, do contrário, apenas teremos em mãos formulários e resultados sem conseguirmos interpretá-los de modo técnico para ações assertivas.

É sempre importante lembrar que os aspectos metodológicos para a coleta das amostras devem ser amplamente respeitados. Para maiores informações a base de dados do National Institute for Occupational Safety and Health  - NIOSH pode ser consultada. No caso do fumo asfáltico o método mais adequado é o NIOSH 5042 que pode ser encontrado em https://www.cdc.gov/niosh/nioshtic-2/20043981.html e https://www.cdc.gov/niosh/npg/npgd0042.html

Nós, profissionais da área de Segurança e Saúde no Trabalho, temos o dever de orientarmos tanto os empregadores como os trabalhadores a respeito das medidas preventivas a serem tomadas para redução da exposição ocupacional dos trabalhadores, assim como conscientizá-los da importância do uso dos equipamentos de proteção individual, uma vez que fornecidos.  

  
Fabio Alexandre Dias 23/07/2016

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Trabalho a Céu Aberto - Frio e Umidade


           Quando falamos de trabalho a céu aberto, na maioria das vezes, associamos ao calor oriundo de uma fonte natural (sol) e das possíveis queimaduras de pele que uma exposição prolongada pode causar, a desidratação, etc. Entretanto, estes não são os únicos riscos provenientes desta forma de execução de atividades de trabalho. A queda da temperatura central do indivíduo que é de 37ºC (faixa ideal ou temperatura normal), pode ocasionar uma série de reações orgânicas que podem perturbar o organismo em sua homeostase, ou seja, prejudicando a capacidade de manter um equilíbrio interno dinâmico e estável.
          Embora o organismo humano possua uma grande capacidade de adaptação, uma troca de calor exponencial entre o corpo e o meio ambiente (área ou região fria) pode ocasionar a perda da temperatura interna central do indivíduo, podendo causar danos à saúde em caso de exposições agudas (intensas).
           Outro fator preponderante é a umidade, que pode potencializar a perda de temperatura interna central do indivíduo principalmenteem cenários onde a sensação térmica intensifica-se pela aceleração         do vento incidente sobre o trabalhador. Quando o mesmo encontra-seinserido neste cenário de exposição sem a devida proteção, como uniformes e vestimentas adequadas, para a manutenção da temperatura interna  central do indivíduo o risco do organismo passar por stress é indubitavelmente intensificado.
           A sudorese durante a execução das tarefas pode prejudicar o trabalhador umidificando o uniforme e/ou vestimenta fornecida pela empresa, nestes casos é importante a manutenção e o fornecimento em quantidades que que possibilite a muda, sendo assim necessária a existência de uma área protegida das intempéries para este fim. Em caso de vestimentas impermeáveis uma área de secagem seria importante.
      Apesar de não estarmos tratando de ambientes condicionados, uma definição da ASHRAE (American Society of Heating, Refrigeratingand Air-ConditioningEngineers) Standard Fundamental 55-92 define o estado de conforto térmico como a condição mental que expressa satisfação com relação ao ambiente térmico (LAMBERTS; XAVIER, 2002). É claro que retratamos outro cenário de exposição, porém nossos esforços como profissionais da área de SST devem ter como premissa a conscientização os empregadores em oferecerem aos trabalhadores condições mínimas de conforto e segurança nas frentes de trabalho.
         Se pensarmos nesta definição como um norte para as ações preventivas para a melhoria das condições de trabalho a céu aberto nos depararemos com um grande desafio.
      A exposição dos trabalhadores sofrerão variações de acordo com as condições climáticas, ambientais e metrológicas das regiões, assim como, características específicas das áreas de execução das tarefas.
Na determinação dos tipos climáticos de Köppen-Geiger (figura) são considerados a sazonalidade e os valores médios anuais e mensais da temperatura do ar e da precipitação. No Brasil a referencia para análise das regiões e classificações das zonas climáticas é o Mapa de Clima do IBGE—Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, em : ftp://geoftp.ibge.gov.br/mapas_tematicos/mapas_murais/clima.pdf . Porém, a Classificação de Köppen-Geiger, amplia e sistematiza questões importantes que poderão auxiliar no planejamento holístico de implantação de frentes de trabalho em território nacional.
        Todos sabem que nos períodos mais frios e úmidos temos o aumento de doenças típicas como a gripe e pneumonia, ou seja, a equipe de saúde e segurança das empresas deve pensar em campanhas de imunização de seus funcionários e em ações que fomentem um maior acompanhamento dos trabalhadores nas mais variadas frentes de trabalho.
    Estas ações, assim como o investimentos em proteção individual, infraestrutura, campanhas informativas, etc. , impactam diretamente na redução dos custos ligados ao absenteísmo e consequentemente no andamento e cumprimento das metas ligadas a produção.
        Algumas ações básicas que podemos recomendar:
1. Hidratação constante;
2. Alimentação balanceada - parceria entre médicos e nutricionistas;
3. Uso de produtos de higiene descartáveis (lenços);
4. Na ocasião de pausas e permanência em ambientes fechados para refeições, permitir a circulação e renovação de ar;
5. Priorizar a higienização constante em ambientes comuns, como por exemplo, sanitários;
6. Acompanharde maneira próxima as frentes de trabalho;
7. Garantir a assistência à saúde e ao atendimento a emergências.
Não se engane! Trabalhador com frio fica desatento, sua mobilidade fica restrita devido a dormência nos membros, o raciocínio lógico fica prejudicado em alguns casos, etc. Apenas pelos fatores acima citados percebemos a potencialização dos riscos de acidentes.   
 
Por.: Fabio Alexandre Dias




Trabalho a Céu Aberto - Calor e Radiação UV.


                             

 No mundo milhares de trabalhadores desenvolvem suas atividades a céu aberto, onde o calor, a radiação UV (ultravioleta), frio e umidade, impactam diretamente no desenvolvimento do trabalho e na saúde dos trabalhadores. Sendo assim, medidas de controle são indispensáveis para minimizar a ação destes agentes físicos nos mais variados segmentos produtivos, como por exemplo no trabalho agrícola, portuário, em frentes de trabalho na Indústria de Construção Civil, etc.         No caso do calor intenso, a análise da atividade que esta sendo realizada é fundamental, através dela conseguimos qualificar gastos metabólicos que nos subsidiam em relação à necessidade da hidratação destes trabalhadores. Outro aspecto importante é a análise da região: os horários em que as atividades acontecerão, as características climáticas e variações ao longo da jornada de trabalho. 



Segundo estudos realizados nos Estados Unidos pela EPA - US Environmental Protection Agency  o clima da Terra está mudando e cada vez mais as temperaturas tem se elevado (fig.1), consequentemente a exposição ocupacional tem se acentuado através da análise e inter-relação entre o trabalho a céu aberto e o meio ambiente.
Segundo o INCA- Instituto Nacional de Câncer, no Brasil o Câncer mais frequente é o de pele, correspondendo a cerca de 25% de todos os tumores diagnosticados em todas as regiões geográficas, sendo a radiação ultravioleta natural (vinda do sol) seu maior agente etiológico.
  As radiações solares são classificadas pelo comprimento de onda ultravioleta em nanômetros (nm) da seguinte forma: UVA (320-400 nm), UVB (280-320 nm), UVC (100 - 280 nm) aproximadamente, em que a exposição a  radiação UVB é mais frequentes devido a destruição da camada de ozônio. 


No Brasil, a NR –15 — Anexo Nº 3, estabelece limites de exposição para o calor para trabalhos realizados em ambientes externos com carga solar e a NR - 21, estabelece condições mínimas para a realização de trabalhos a céu aberto
                                                                 A OMS - Organização Mundial de Saúde classifica o índice radiação ultravioleta de 1 a 11 subdivido conforme eixo das ordenadas e cores no gráfico abaixo, onde adotamos como exemplo de aplicação  a Cidade de São Paulo, o mesmo também faz relação em função do tempo e dos aspectos meteorológicos.

Apropriar-se destas informações, torna-se extremamente relevante se pensarmos nas ações preventivas e nos referenciais para o planejamento e tomada de decisão nas ações de saúde e segurança no trabalho.

Atualmente no mercado brasileiro existe uma série de fabricantes de cremes para proteção da pela contra as radiações ultravioletas que auxiliam consideravelmente na redução da exposição ocupacional de nossos trabalhadores. Um fator agravante, na maioria das vezes, é a falta de planejamento e previsão orçamentária para o fornecimento desta proteção aos trabalhadores, infelizmente esta situação ocorre em muitas empresas

Na escolha do creme de proteção, deve ser considerado o FPS - Fator de Proteção Solar, que supra a necessidade do trabalhador exposto, sendo o Técnico de Segurança do Trabalho, membro ativo dentro das equipes multidisciplinares no fomento das discussões técnicas para tomada de decisão, uma vez que grande parte dos trabalhadores não detém a informação sobre sua própria condição de exposição ocupacional na realização das mais variadas tarefas. 

  Algumas questões básicas a serem respondidas para o planejamento orçamentário e fornecimento de creme protetor para o trabalhador:

1. Quantos trabalhadores terei em cada frente de trabalho?
2. Em qual período do dia acontecerão atividades a céu aberto? E qual é o FPS recomendado?
3. Qual será o tempo previsto para desenvolvimento da tarefa (dias, meses ou anos)?
4. Qual o custo do creme de proteção e sua relação custo x benefício? ...

Outro fator importantíssimo é a realização de treinamento e capacitação do trabalhador. Embora pareça simples, a aplicação de cremes protetores sobre a pele demandam cuidados importantes para que esta ocorra de forma efetiva e não ocorra desperdício.
Lembrando sempre que toda ação educativa também deve ser registrada, pois as Empresas que cumprem as leis e agem na direção da melhoria da qualidade de vida no trabalho, devem possuir documentos comprobatórios de suas ações.  

   Por.: Fabio Alexandre Dias

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