Prevenção e Comunicação de Risco

Sem dúvida o locus da ação dos profissionais de saúde e segurança no trabalho.

Gerenciamento de Riscos

Fundamental para a redução de perdas.

Saúde e Segurança

Conectadas em prol de nossos trabalhadores.

Higiene Ocupacional e Toxicologia

Ciências unidas na qualificação e quantificação de agentes ambientais.

Parâmetros Regulatórios e de Controle

A dinâmica do trabalho exige uma constante validação dos processos e análise das tarefas.

domingo, 2 de julho de 2017

PL Nº 6.787-B DE 2016 – Erro latente!

“Art. 394-A § 3º -  Quando não for possível que a gestante ou a lactante afastada nos termos do caput deste artigo exerça suas atividades em local salubre na empresa, a hipótese será considerada como gravidez de risco e ensejará a percepção de salário maternidade, nos termos da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, durante todo o período de afastamento. ”
Gostaria de externar a minha compreensão em relação a necessidade da reforma das relações trabalhistas no Brasil, porém, este artigo não visa discutir politicamente o pleito da PL 6.787, mas o erro técnico que compõem o Art. 394-A § 3º no que se refere a permanência das gravidas e lactantes em áreas insalubres em determinada instância. Consulta disponível em: http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=1550864&filename=Tramitacao-PL+6787/2016

Gostaria de reiterar o artigo dantes publicado neste blog sob o tema “ Trabalho e Gravidez” para que possamos compreender a problemática relacionada a está redação que classifico como um erro latente!
  “As mulheres a cada dia assumem novos postos de trabalho que tradicionalmente eram ocupados por homens nos mais variados ramos de atividades. A atenção das mulheres em acompanharem detalhes e a capacidade de conseguirem reter a concentração nas tarefas a elas delegadas fazem delas verdadeiras “pérolas“ estratégicas nas linhas de produção. Porém a atuação e o papel das mulheres em frentes de trabalho não é recente, tomemos como exemplo o trabalho feminino nas fábricas de tecido ao final do século XIX e início do século XX. 

           A grande diferença entre a participação das mulheres era que no passado as empresas eram em sua grande maioria gerenciadas por homens e as mulheres eram contratadas e muitas vezes submetidas a condições precárias de trabalho e, em alguns casos, tratadas como a “mulher submissa e obediente” de dentro de casa, ou seja, sem direitos a participar ativamente das decisões que envolviam sua própria vida na maioria das vezes.  Atualmente o papel da mulher é totalmente diferente, embora ainda nos deparemos com situações semelhantes as do passado, atualmente a mulher se estabelece em posições gerenciais e também na linhas de produção. Embora as mulheres tenham buscado e encontrado seu espaço, existe algo que elas sempre irão preservar: sua maternidade e a capacidade de gerar outra vida. Sem dúvida alguma uma virtude e uma grande alegria para muitas mulheres. A grande questão é: Existe riscos em processos de produção que podem gerar implicações ao feto durante a gravidez? A resposta é: Sim existem! Cito os teratógenos, que são agentes exógenos que podem causar defeitos congênitos, como por exemplo, substâncias químicas (PCBs, metil mercúrio, álcoois, etc.), exposição a radiações ionizantes, etc.                   

             O grande problema é que as possíveis desordens genéticas são mais comuns na fase embrionária porque o embrião fica vulnerável por possuir mecanismos limitados de destoxificação. Nos casos em que a gravidez não é programada o acompanhamento e casual nas primeiras semanas, ou seja, importantes para o feto e sua maturação. Outros fatores são importantes e devem ser levados em consideração: Processos infecciosos, desordens biológicas maternas, radiações terapêuticas e a administração de fármacos durante a gestação, sendo assim, percebe-se a necessidade da implantação de campanhas educativas nas empresas sob a temática proposta. Infelizmente, muitas mulheres sentem-se inseguras em informar que se encontram gestantes, temerosas com as reações de seus empregadores, principalmente quando o trabalho é prestado de maneira informal, porque atualmente muitas compartilham com seus cônjuges a manutenção da renda familiar. 

          A área de Segurança do Trabalho, Saúde e Qualidade de Vida e Recursos Humanos nunca foram tão importantes para este no modelo social e de trabalho. Pois a ação para preservação da saúde da trabalhadora e de seu feto, durante o processo gestacional, depende de um trabalho amplo e em equipe para a propiciação de um ambiente digno e salubre de trabalho para estas vidas que dependem de nossa conscientização em primeiro lugar, capacitação para a identificação dos cenários de exposição que se apresentam e de nosso cuidado, pois o maior patrimônio das empresas e das grandes organizações são as pessoas que as constituem.  

Aos Técnicos em Segurança do Trabalho, cabe primeiramente a colaboração na identificação e análise de riscos dentro de equipes multidisciplinares com o objetivo da realocação, quando necessária, das gestantes que se encontram em tais condições. O período de lactância, após o nascimento do bebê deve ser levado em consideração, pois algumas substâncias podem ser excretadas pela glândula mamária e trazerem graves prejuízos à criança, principalmente nos três primeiros meses de vida, onde seu sistema imunológico não está completamente formado. 

No ano de 2004, foi estabelecido no Brasil o Pacto Nacional pela Redução da Mortalidade Materna e Neonatal envolvendo o Ministério da Saúde em suas Secretarias de Atenção a Saúde e Vigilância em Saúde, Governo Federal e Comitês de Prevenção do Óbito Infantil e Fetal, etc.

            Esta temática faz parte das Metas do Desenvolvimento do Milênio em compromisso assumido pelos países que integram a Organização das Nações Unidas (ONU), do qual o Brasil faz parte. Todos nós somos responsáveis, nós somos o Brasil!  Se pudéssemos resumir em uma palavra a nossa atuação como profissionais de segurança e saúde no trabalho, ela seria prevenção, creio ser o cerne de nossa atuação e devemos extrapolar nossas simples rotinas agindo com dedicação extrema para a valorização da vida.”  Fonte disponível para consulta em: http://institutodiasfilho.blogspot.com.br/2014/08/trabalho-e-gravidez.html


A redação da PL é no mínimo contraditória e, caso aprovada, será contraditória e passível de questionamento legal em relação a responsabilidade do empregador e médico trabalho em autorizar a exposição ocupacional das trabalhadoras, gestantes ou mães, a atividades de trabalho em ambientes insalubres.

Na minha opinião, o Art. 394-A § 3º não oferece nenhum tipo de avanço nas relações trabalhistas, mas sim um retrocesso nas relações de trabalho e na gestão da saúde pública devido ao impacto que uma proposta que desconsidera a preservação da vida e da saúde desde o período gestacional, neonatal e da amamentação.
Avançar sim! Retroceder jamais!
                                                                 

                                             Por: Fabio Alexandre Dias


Emissões Fugitivas

As emissões fugitivas estão mais próximas de nós do que imaginamos! Todos os dias milhares de veículos emitem substâncias químicas oriundas dos processos de queima de combustíveis de seus motores na atmosfera (fontes de emissões móveis). Outra emissão comum em escalas menores são as decorrentes dos processos de abastecimento de tanques de combustíveis em postos de gasolina (fontes de emissões fixas, assim como as industriais). Porém, estas emissões ocorrem em maior escala nos mais variados processos industriais.

Nas fontes de emissões fixas, podemos sub classificá-las em fontes de emissões pontuais, que podemos explicar como as que possuem seu fluxo controlado e são conhecidas por fazerem parte dos processos produtivos, como por exemplo: chaminés, dutos de condução e ventiladores. Outras classificamos como fontes de emissões difusas e/ou fugitivas onde as emissões ocorrem sem controle e gerenciamento direto e conhecido como as fixas.

Nos processos industriais são comuns ocorrerem em válvulas, registros e em abertura de recipientes contendo COVs – Compostos Orgânicos Voláteis sendo locais de emissão de VO – Vapores Orgânicos, em sua maioria, por substâncias derivadas de petróleo.
Sendo assim, faz-se necessário o monitoramento destas fontes do modo sistêmico devido aos riscos relacionados, dentre eles: perda de matéria prima, aumento probabilidade de ocorrência de sinistros (perdas materiais), aumento da probabilidade da ocorrência de acidentes do trabalho, impactos ambientais (aumento da poluição atmosférica, plumas de contaminantes na planta e no entorno das instalações, etc.).

Um dos métodos para gerenciamento dos vapores orgânicos é o da EPA – Environmental Protection Agency, mais conhecido como EPA M21 VOC - Volatile Organic Compound Leaks, disponível para download em: https://www.epa.gov/emc/method-21-volatile-organic-compound-leaks.

No Brasil, o controle de emissões de fontes fixas está normalizado pela CETESB através do PMEA/RMEA desde março de 2005, através do “ Termo de Referência para Elaboração do Plano de Monitoramento de Emissões Atmosféricas (PMEA)”, disponível para download em: file:///C:/Users/Fabio/Downloads/pmea%20(2).pdf.

Emissões fugitivas em plantas industriais possuem relação direta com a área de segurança e saúde ocupacional, exigindo ações conjuntas e multidisciplinares devido a amplitude dos problemas que acarretam e a extensão das áreas técnicas operacionais envolvidas.

No mercado existem monitores de análise pontual, além dos de pontos fixos que auxiliam na gestão do risco em plantas de processo. As frequências do monitoramento devem ter referência no fluxo operacional e de modo rigoroso nas fontes geradoras identificadas e a frequência da apresentação dos dados levantados deve ser acordada com o órgão licenciador.

Por Fabio Alexandre Dias



sexta-feira, 14 de abril de 2017

Ruído – Dose Projetada e Nível de Exposição Normalizado

Atualmente a maioria dos equipamentos que realizam a análise dos níveis de pressão sonora ao qual um trabalhador fica exposto possui integração de dados para fornecimento de informações como, por exemplo, a dose projetada para uma jornada de trabalho de 8 horas. Quando se monitora 70% ou menos desta jornada a mesma, na maioria dos casos, é projetada para oito horas. Quais os cuidados que devemos ter e como isso acontece?
Primeiramente uma investigação e análise detalhada da rotina devem acontecer, pois do contrário pode ser “mascarado” um cenário de exposição, pensando simploriamente em um caso o qual as horas projetadas fossem as mais intensas de certa rotina de trabalho, ou seja, variações consideráveis poderiam influenciar no resultado final do nível de pressão sonora ponderado.
Existem algumas maneiras de se projetar a dose encontrada em um determinado espaço de tempo inferior a jornada completa de trabalho, visando encontrarmos os valores correspondentes de uma jornada integral. Vejamos os exemplos abaixo:
1.    Dose Projetada:

Um avaliador realizou uma dosimetria de 2h, encontrando uma dose de 40%, sendo que a jornada de trabalho é de 8 horas. Projetando então às horas restantes teremos:
Dados:
LAVG = ruído médio ponderado no tempo
D (%) = dose em percentual
T (min) = tempo da medição em minutos

2h à 40%
8h à x
X = (8 . 40) /2 => 160 %
Portanto, D = 160 %
LAVG = 80 + 16,61 x log [(9,6 x D)/T]
LAVG = 80 + 16,61 x log [(9,6 x 160)/480]
LAVG = 88,39 dB (A)

2.    NEN – Nível de Exposição Normalizado – NHO 01

      Constatou-se que um trabalhador está exposto a um NPS – nível de pressão sonora de 87 dB (A) (LEQ) após uma dosimetria de 4 horas, sendo que sua jornada de trabalho é de 8 horas por dia. Qual seria o nível de exposição normalizado ao qual este trabalhador estaria exposto em uma jornada de 8 horas?
Dados:
NEN = dB (A)
NE = nível médio de exposição ocupacional diária
TE = tempo de duração, em minutos, da jornada diária de trabalho.

Utilizando o NEN – Nível de Exposição Normalizado para q=5 (fator de duplicação de              dose conforme NR 15):


NEN = NE +16,61 log (TE/480)
NEN = 87 + 16,61 log (240/480)
NEN = 81,99 dB (A)

Utilizando o NEN – Nível de Exposição Normalizada para q=3 (fator de duplicação de               dose conforme NHO 01):

NEN = NE +10 log (TE/480)
NEN = 87 + 10 log (240/480)
NEN = 83,98 dB (A)

3.    NEN – Nível de Exposição Normalizado – Com excedente de jornada.

            Constatou-se que um trabalhador está exposto a um NPS – nível de pressão sonora de 81 dB (A) (LEQ) após uma jornada total de trabalho de 10 horas, sendo que sua jornada contratual é composta por 8 horas de trabalho e mais 2 horas extras diárias. Qual seria o NEN – Nível de Exposição Normalizado para análise e tomada de decisão com base nos critérios previdenciários vigentes?

Utilizando o NEN – Nível de Exposição Normalizado para q=5 (fator de duplicação de dose conforme NR 15):

NEN = NE +16,61 log (TE/480)
NEN = 81 + 16,61 log (600/480)
NEN = 82,61 dB (A) para uma jornada de 8 horas.

Vejamos outro exemplo:

Constatou-se que um trabalhador está exposto a um NPS – nível de pressão sonora de 84 dB (A) (LEQ) após uma jornada total de trabalho de 10 horas, sendo que sua jornada contratual é composta por 8 horas de trabalho e mais 2 horas extras diárias. Qual seria o NEN – Nível de Exposição Normalizado para análise e tomada de decisão com base nos critérios previdenciários vigentes?

Utilizando o NEN – Nível de Exposição Normalizado para q=5 (fator de duplicação de dose conforme NR 15):

NEN = NE +16,61 log (TE/480)
NEN = 84 + 16,61 log (600/480)
NEN = 85,61 dB (A) para uma jornada de 8 horas.

Os cálculos são importantes para estimativas, ampliando os recursos técnicos dos profissionais no variados cenários que podem apresentar-se durante sua atuação profissional.

É interessante esclarecer que:  

Art. 239. A exposição ocupacional a ruído dará ensejo à aposentadoria especial quando os níveis de pressão sonora estiverem acima de oitenta dB(A), noventa dB(A) ou oitenta e cinco dB(A), conforme o caso, observado o seguinte:
IV - a partir de 19 de novembro de 2003, data da publicação do Decreto nº 4.882, de 18 de novembro de 2003, será efetuado o enquadramento quando o Nível de Exposição Normalizado - NEN se situar acima de oitenta e cinco dB (A) ou for ultrapassada a dose unitária, aplicando:

a) “os limites de tolerância definidos no Quadro Anexo I da NR-15 do MTE; e
b) as metodologias e os procedimentos definidos nas NHO-01 da FUNDACENTRO.”

Por tal circunstância é que se adaptou o cálculo do NEN para o atendimento da legislação supra referida, sendo aplicável quando os valores forem acima de 85 dB (A). 


Fabio Alexandre 14/04/2017

quarta-feira, 5 de abril de 2017

A Importância da Ética Relacional e “Introspecção Funcional”nas Relações de Trabalho




Nós apenas existimos por causa do outro que nos identifica! Mas como o outro nos identifica? Um colega de trabalho, um amigo, um ex-amigo, um conhecido.... Um superior justo, injusto, um líder agregador, um gestor desinteressado.  

Organizações que valorizam o comportamento ético nas relações de trabalho sempre se destacam por possuírem valores bem definidos que auxiliam na sustentabilidade relacional entre as equipes, suas lideranças e gerências refletindo diretamente no desenvolvimento do trabalho.


As pessoas podem parecer éticas, assim como parecer ter valores, porém parecer não é ser ou ter! Uma hora a sujeira vai sair de debaixo do tapete! O interesse pode suprimir o ético e o aspecto relacional ser afetado ou ser utilizado como uma defesa, uma estratégia que extrapola a administração da inteligência relacional para assumir um patamar de manipulação do outro como objeto. As pessoas nas relações de trabalho se tornam coisas, ou poderíamos dizer: são “coisificadas”.

As teorias das relações humanas no trabalho foram sucumbidas pela forte mão invisível do Mercado, porém, até hoje, mesmo em meio a posições contrárias, têm se apresentado como uma das saídas que integram as listas dos planos de ações de organizações em crise. Um grande quebra-cabeça se apresenta quando analisamos e confrontamos o ser social e o funcional e reconhecemos que ele é um só!


É neste momento que somos chamados a uma “introspecção funcional” em relação a nossa conduta e posições que assumimos nos ambientes de trabalho. A maneira como nos relacionamos e nos posicionamos com o outro implicada em responsabilidades, as quais  geram influencia positiva ou negativa no ambiente de trabalho e respectivamente no clima organizacional. Einstein disse uma vez que: A preocupação pelo homem e seu destino sempre deve ser o interesse primordial de todo esforço técnico. Nunca esqueça isso entre seus diagramas e equações. A princípio, o texto, pode parecer contraditório, tecnicista, mas me arrisco em dizer que Einstein coloca claramente o homem acima das coisas que ele mesmo pode criar dando sentido a elas e situando o homem em um status único!

Por Fabio Alexandre Dias 

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Fumos Metálicos


 Uma das principais e mais comuns fontes geradoras de risco relacionada a exposição ocupacional a fumos metálicos é o processo de soldagem elétrica. Ocorre um processo de fusão de materiais por calor gerado através de um arco elétrico entre o material a ser soldado com o material fundente do eletrodo.

 No processo, desprende-se todo material que compõe o eletrodo e o material fundente que se liquefaz pela fusão que instantaneamente se solidifica gerando partículas minúsculas que ficam em suspensão no ar. Outra questão que envolve este processo são os gases de proteção gerados para evitar a entrada de oxigênio na solda para evitar bolhas e fissuras.

Fonte: http://www.esab.com.br/br/pt/education/blog/processo_soldagem_eletrodo_revestido_mma_smaw.cfm

  A questão, do ponto de vista ocupacional, é que todos estes componentes oferecem em certas concentrações riscos à saúde dos trabalhadores. Serralherias são tão comuns como marcenarias nos bairros da cidade de São Paulo e o que percebemos são espaços pequenos sem exaustão e com baixo pé direito. Sendo assim, existe uma concentração de fumos metálicos que requer atenção dentro da rotina diária. A maioria destes profissionais são autônomos e, às vezes, não tem o mínimo de instrução e orientação sobre os riscos de seu ofício.  Porém, este risco não se resume apenas a soldagem elétricas, mas aplica-se também a fundições, processo de extrusão metálica, etc.

  Para uma correta ação de controle deve-se quantificar as partículas em suspensão para um dimensionamento adequado de sistemas exaustores localizados com real capacidade de exaurir de maneira eficaz os contaminantes existentes o ar.

  O que avaliar? Depende dos materiais e características dos metais envolvidos com o processo fundente e demais substancias que componham o processo como, por exemplo, pastas de solda em processo de solda a estanho. Veja um ótimo material da Elbras que pode dar dimensão as orientações sobre a necessidade de se estudar os processos fundentes e o que devemos saber quando praticamos a ARAC em: http://www.elbras.com.br/downloads/apresentacaoii.pdf .

  Qualificar os riscos é tão importante quanto quantifica-los, não basta apenas realizar medições se não sabemos o que deve ser medido. No Brasil, ainda não existe uma cultura de implementação do PPR – Programa de Proteção Respiratória e nem uma correta abordagem das exposições e medidas de controle propostas em PPRAs – Programas de Proteção de Riscos Ambientais.

  Um respirador purificador de ar, descartável, tipo peça semi-facial, classe PFF2 seria recomendado para uma proteção inicial até que as avaliações ambientais sejam realizadas, porém, cada caso é um caso, e um profissional especializado deve ser consultado para tal especificação.

Fabio Alexandre Dias 15/12/2016


sábado, 5 de novembro de 2016

Análise Global de Riscos - INSHT ESPANHA

Etapas do processo de análise global dos riscos.
Um processo de análise global dos riscos é composto das seguintes etapas:

Classificação das etapas de trabalho
Um passo importante para a realização de uma análise prévia é a organização do trabalho a ser realizado através de uma listagem classificada por setor, cargo e descrição de atividades. Vejamos algumas das maneiras para classificarmos as atividades de trabalho:
A.                 Reconhecimento das instalações e classificação das áreas entre internas e externas;
B.                 Fases do processo produtivo ou da prestação de um serviço;
C.                 Planejamento e processo de execução das tarefas;
D.                 Atividades definidas, como por exemplo, operador de máquina empilhadeira, etc.

Coleta de informações e demais aspectos das atividades de trabalho que podem ser analisados:
  • Tarefas realizadas, sua duração e frequência;
  • Locais onde o trabalho é feito;
  • Quem faz o trabalho, sua habitualidade, eventualidade ou ocasionalidade;
  • Outras pessoas que possam ser afetadas por atividades de trabalho (por exemplo, setores no entorno, visitantes, subcontratados, público em geral);
  • Condição de capacitação e formação dos trabalhadores para a execução das suas tarefas;
  •  Procedimentos para realização dos trabalhos devidamente organizados, documentados que         comprovem a ciência do trabalhador;
  •  Condição das instalações, máquinas e equipamentos utilizados;
  • Ferramentas manuais motorizadas utilizadas;
  • Observância das instruções dos fabricantes e fornecedores para a operação e manutenção de instalações, máquinas e equipamentos;
  • Tamanho, forma, características superficiais e peso de cargas a serem manuseados;
  • Aspectos relacionados com a movimentação cargas, como distância e altura;
  • Métodos e mecanismos de transporte utilizados;
  • Substâncias e produtos utilizados e gerados nos processos produtivos que se relaciona direta ou indiretamente com o trabalho;
  • O estado físico das substâncias utilizadas (fumos, gases, vapores, líquidos, pó, sólidos).
  • Conteúdo e recomendações da FISPQ – Ficha de Informação de Segurança de Produtos Químicos e da rotulagem das substâncias utilizadas.
  •  Requisitos da legislação em vigor sobre a forma de fazer o trabalho, instalações, máquinas e substâncias utilizadas.
  • Medidas de controlo existentes.
  •  Ações corretivas com base no histórico de incidentes, acidentes, doenças ocupacionais decorrentes da atividade desenvolvida equipamentos e, substâncias utilizadas nos processos produtivos. A informação deve ser procurada dentro e fora da organização;
  •  Formas de gerenciamento dos riscos relacionadas com as atividades existentes;
  • Organização do trabalho.


Análise de Risco

Identificação do Perigo
Podemos adotar três questionamentos básicos para identificação do perigo, são eles:
A.                 Existe uma ou mais fontes geradoras de dano?
B.                 O que (ou quem) pode ser danificado?
C.                 Como podem ocorrer os danos?

A fim de auxiliar no processo de identificação de perigos, é uma boa prática classificá-los de diferentes maneiras, por exemplo, por temas: mecânica, elétrica, radiação, produtos químicos, incêndios, explosões, etc...

De maneira geral, com vistas a complementar a identificação de perigo, podemos adotar uma lista de perguntas, como por exemplo: Durante as atividades de trabalho, quais são os perigos existentes?  

  • Contusões e cortes;
  • Queda do mesmo nível;
  • Queda de pessoas em desníveis;
  • Queda de ferramentas, materiais, etc., em atividades realizadas em altura;
  • Arranjo físico inadequado;
  • Atividades em confinamento;
  • Riscos associados à movimentação manual de cargas;
  •  Riscos em instalações e máquinas associados com a montagem, transporte, operação, manutenção, transformação, reparação e remoção de insumos produtivos e/ou inerentes à natureza do serviço prestado;
  • Transportes veiculares perigosos, tanto o transporte interno e transporte rodoviário;
  • Ocorrência de incêndios e explosões;
  • Substâncias que podem causar dano ao serem inaladas;
  • Substâncias ou agentes que podem danificar os olhos;
  • Substâncias que podem causar danos por contato ou absorção através da pele;
  •  Substâncias que podem causar danos quando ingerido;
  • Fontes de energia perigosas, como por exemplo, eletricidade, radiação, ruído e          vibração;
  • Perturbações musculoesqueléticas resultantes de movimentos repetitivos;
  •  Ambiente térmico inadequado;
  •  Iluminação inadequada;
  • Rotas de fuga e de ações emergenciais obstruídas, inadequadas ou inexistentes.

 As perguntas acima não são exaustivas, porém, norteadoras, para que uma análise de riscos seja minimamente suportada por informações basais que auxiliem na percepção dos fatores que impactam as atividades de trabalho, na segurança dos trabalhadores e das instalações.

Estimativa do risco

Determinando a severidade do dano
Para determinar a gravidade potencial dos danos devem ser considerados:
a) as partes do corpo que serão afetados;
b) natureza do dano, graduando-o de ligeiramente danoso até extremamente danoso.

Exemplos de ligeiramente danoso (LD):
• danos superficiais: pequenos cortes e contusões, poeira que provocam irritação nos olhos;
• desconforto e irritação, por exemplo: dor de cabeça.
  
Exemplos de danoso (D):
• lacerações, queimaduras, choques, entorses, fraturas importantes menores.
• A surdez, dermatite, asma, desordens músculo-esqueléticas, uma doença que leva a uma deficiência menor.

Exemplos de extremamente danoso (ED):
• As amputações, fraturas principais, envenenamento, lesões múltiplas, lesões fatais.
• Câncer e outras doenças crónicas que encurtam drasticamente a vida ou incapacidade permanente para o exercício do trabalho.

Probabilidade da ocorrência do dano
A probabilidade de que o dano ocorra pode mudar de baixa para alta, com os seguintes critérios:

Alta probabilidade: o dano ocorrerá sempre ou quase sempre;
probabilidade média: o dano ocorrerá em algumas ocasiões;
Baixa probabilidade: o dano irá ocorrer raramente.

Ao estabelecermos a probabilidade da ocorrência de danos, devemos considerar as medidas de controle implementadas, sua efetividade, aspectos legais e de boas práticas e medidas de controle específicas, sejam de cunho administrativo ou de engenharia.

Além das informações sobre as atividades de trabalho, devemos considerar outros fatores, como:

  1. Trabalhadores particularmente sensíveis a certos riscos (características pessoais ou da condição biológica);
  2. A frequência da exposição ao perigo (habitualidade, eventualidade e ocasionalidade);
  3. Falhas na operação dos processos e/ou serviços;
  4.   Problemas nas instalações, componentes de máquinas e equipamentos, bem como seus dispositivos de segurança;
  5. Os processos de trabalho e a exposição do trabalhador aos elementos de máquinas, equipamentos sem proteção e condições gerais dos postos de trabalho.
  6. Capacidade protetiva do EPI e o tempo de uso deste equipamento;
  7. Histórico e/ou registro de atividades realizadas abaixo dos padrões previamente estabelecidos, incidentes e acidentes.





Tabela de Níveis de Risco



CONSEQUÊNCIAS
Ligeiramente danoso
(LD)
Danoso
(D)
Extremamente danoso
(ED)
PROBABILIDADE

BAIXA (B)

Risco trivial         (T)
Risco Tolerável (TO)
Risco moderado
(MO)

MÉDIA (M)

Risco Tolerável (TO)
Risco moderado
(MO)
Risco importante
(I)

ALTA (A)

Risco moderado
(MO)
Risco importante
(I)
Risco intolerável
(IN)

 Avaliação e tomada de decisão sobre a tolerabilidade dos riscos
Os níveis de risco indicados na tabela acima, constituem uma base para tomada de decisão para introdução de novos controles e melhoria dos existentes, e nortear um as ações referentes aos prazos para implementações de ações recomendadas em programas de prevenção e gerenciamento de riscos. A tabela também indica os esforços necessários para controlar os riscos e a urgência com que eles devem ser implementados de maneira proporcional aos riscos analisados.
    
Riscos
Ações e tempo especificado
Trivial (T)
Não se requer ação específica
Tolerável (TO)
Não há necessidade de melhorar a ação preventiva. Porém deve ser considerada a implementação de mais soluções de baixo custo ou melhorias que não apresente um peso econômico significativo. Verificações periódicas são necessárias para garantir que a eficácia das medidas de controle que estão sendo mantidas.


Moderado (MO)
Devem ser feitos esforços para reduzir o risco, determinar os investimentos necessários. As medidas para reduzir o risco devem ser implementadas em um período determinado. Quando o risco moderado está associado com consequências extremamente prejudiciais, serão necessárias novas medidas e estudos para estabelecer com maior precisão, a probabilidade de danos, como base para a determinação da necessidade de medidas de controle melhoradas.

Importante (I)
O trabalho não deve ser iniciado até que tenha sido reduzido o risco. Pode exigir recursos consideráveis para o controle de risco. Quando o risco corresponde a um trabalho que está sendo feito, o problema deve ser remediado em menos tempo do que os riscos moderados.

Intolerável (IN)
Não se deve começar ou continuar o trabalho até que haja redução do risco. Se não é possível se reduzir o risco, mesmo com recursos ilimitados, o trabalho dever ser paralisado de modo imediato e sua continuidade proibida até a implementação de soluções que garantam a integridade física e saúde dos trabalhadores.


Traduzido e adaptado de: http://www.insht.es/portal/site/Insht/ 
Por Fabio Alexandre Dias