sexta-feira, 22 de julho de 2016

Exposição Ocupacional ao Fumo Asfáltico




É comum na cidade de São Paulo vermos trabalhadores tapando buracos nas avenidas e rodovias principais. Também é comum vermos trabalhadores sem proteção alguma desenvolvendo está atividade. Será que a causa é a falta de fiscalização dos municípios e estados em relação a seus prestadores serviços? Um dos problemas são os danos que os fumos oriundos dos processos de pavimentação asfálticos geram a saúde dos trabalhadores.  


A primeira pergunta que paira em nossas mentes é a seguinte: O que são fumos? Fumos são aerodispersóides gerados termicamente, constituídos de partículas sólidas formadas pela condensação de vapores, geralmente após volatilização de substância sólida fundida.

A exposição ao risco ocorre quando estes fumos alcançam a zona respiratória dos trabalhadores, sendo inalados e suas partículas alojando-se ao longo do sistema respiratório em micro frações, que variam de tamanho, podendo futuramente gerar danos à saúde dos trabalhadores devido a uma exposição crônica.

O asfalto é um resíduo derivado de Petróleo, também comumente conhecido como piche e betume, sendo uma mistura composta de diversas substancias, das quais destacaremos os Hidrocarbonatos Aromáticos Policíclicos -  (HAP) que são capazes de reagir, após processos de biotransformação,  ativando as enzimas do citocromo P450, causando danos ao DNA tornando-se potenciais carcinogênicos e mutagênicos. Para maiores informações uma consulta pode ser feita na base de dados da International Agency for Research on Cancer – IARC em  http://www.cancer-environnement.fr/479-Classification-par-localisations-cancereuses.ce.aspx. 

O betume asfáltico está classificado como agente de orientação limitada, ou seja, foi estabelecido nexo causal (evidência suficiente para relacionar a patologia com causa provável na exposição do trabalhador ao agente de risco), porém, fatores de interferência e casuais não podem ser descartados para explicar o aparecimento do câncer.

Quando temos este cenário é importante que façamos uma coleta amostral da exposição dos trabalhadores aos fumos oriundos dos processos de pavimentação asfálticos ou de manutenção das rodovias para aferirmos os níveis de exposição a que estão submetidos. Após os resultados, podemos complementar ações para redução ou melhoria dos cenários de exposição que devem ser analisados criteriosamente, pois, do contrário, apenas teremos em mãos formulários e resultados sem conseguirmos interpretá-los de modo técnico para ações assertivas.

É sempre importante lembrar que os aspectos metodológicos para a coleta das amostras devem ser amplamente respeitados. Para maiores informações a base de dados do National Institute for Occupational Safety and Health  - NIOSH pode ser consultada. No caso do fumo asfáltico o método mais adequado é o NIOSH 5042 que pode ser encontrado em https://www.cdc.gov/niosh/nioshtic-2/20043981.html e https://www.cdc.gov/niosh/npg/npgd0042.html

Nós, profissionais da área de Segurança e Saúde no Trabalho, temos o dever de orientarmos tanto os empregadores como os trabalhadores a respeito das medidas preventivas a serem tomadas para redução da exposição ocupacional dos trabalhadores, assim como conscientizá-los da importância do uso dos equipamentos de proteção individual, uma vez que fornecidos.  

  
Fabio Alexandre Dias 23/07/2016

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