quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Compostos Orgânicos Voláteis - COVs

Em um passado recente uma substância comumente utilizada para alisamento dos cabelos era o formaldeído, aplicado sobre os cabelos nas famosas escovas progressivas. O formaldeído faz parte de um grupo de substâncias mais amplo conhecido e classificado como COVs – Compostos Orgânicos Voláteis.  Uma de suas maiores aplicações está relacionada à área industrial como solventes orgânicos. Tal aplicação coloca em evidência a necessidade de estudos relacionados à suas características devido à capacidade destas substâncias agirem sobre o sistema biológico dos trabalhadores devido a sua toxicidade, ou seja, característica de uma molécula ou composto produzir um efeito adverso no indivíduo.

Mas o que seria um efeito adverso? De maneira simples, uma oxidação celular gerada pela ação de um dado solvente que por via respiratória ou contato acessou o compartimento central (sangue) do individuo exposto. Efeitos narcóticos relacionados à supressão do SNC – Sistema Nervoso Central, etc.

As principais vias de ação dos COVs são a dérmica e a respiratória que potencializam os riscos e perigos em plantas industriais dos mais variados seguimentos.  O potencial de dano destas substancias estarão relacionados a diversos fatores, dentre eles: susceptibilidade individual, tipo de exposição, aguda ou crônica, fatores sinérgicos, etc.

Tomando como base o formaldeído teríamos um limite de exposição de curta duração (STEL), de 0,3 ppm ( partes de vapor ou gás por milhões de partes do ar contaminado por volume, nas CNTP – Condições Normais de Temperatura e Pressão) , segundo a ACHIG – American Conference of Governamental Industrial Hygienistis. Que representa um valor médio que não pode ser ultrapassado em ciclos de 15 minutos durante toda a jornada de trabalho. Também classificado como sensibilizante dérmico e respiratório, além de ser um suspeito carcinogênico humano.

Os COVs não estão distantes de nós em nossa vida cotidiana, sendo mais presentes do que imaginamos. Acetona, Álcool Isopropílico, Solventes e Vernizes, Combustíveis Fósseis, etc. são apenas algumas substâncias que serão mais ou menos percebidas por uma pessoa leiga em ambientes semiconfinados e com pouca ventilação.  Devemos ter atenção no uso e seguirmos as recomendações dos fabricantes de modo integral.

No caso do formaldeído, segundo a FISPQ – Ficha de Informações de Segurança de Produtos Químicos de um grande fabricante, percebemos que estudos em animais trazem classificações de letalidade a partir de determinadas condições caso a exposição ocorra por via oral, cutânea ou respiratória. Voltando ao exemplo da escova progressiva praticada com formaldeído, teríamos a exposição cutânea e respiratória, potencializada pelo aquecimento com a famosa “chapinha” e de modo cutâneo pela capilaridade e adsorção do contaminante pelos fios de cabelo chegando à epiderme, folículos, etc.

  Atualmente a indústria cosmética substitui o formaldeído por um ácido chamado glioxílico que teoricamente só desprenderia formaldeído a temperaturas acima de 500ºC, porém muito se discuti sobre está questão.

Em oficinas mecânicas e funilarias de bairro percebemos uma intensa exposição aos COVs , devido a prática de trabalho sem nenhum critério ou proteção individual. Na maioria dos casos os trabalhadores desconhecem os efeitos adversos das substâncias e se “resguardam” no mito do copo com leite, supondo erroneamente que o mesmo inibe algum efeito adverso.

A falta de informação e educação sobre o convívio seguro com substâncias químicas tem impactado os indicadores de saúde pública, onde nem sempre o nexo causal foi corretamente determinado pela CID – Classificação Internacional de Doenças, pela omissão de informações por parte dos pacientes e despreparo de muitos profissionais no momento de uma anamnese (entrevista realizada pelo profissional de saúde ao seu paciente).


Nas indústrias o SESMT – Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho é responsável pela gestão do risco e da saúde dos trabalhadores. Devendo chamar para si está responsabilidade e não apenas terceirizá-la a falta de dinâmica de muitos empregadores. Ações simples fazem toda a diferença e nem sempre existe a necessidade de grandes orçamentos para uma mudança de cultura corporativa. 

Por Fabio Alexandre Dias 11/02/2016 

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